sexta-feira, 29 de junho de 2012

O primeiro encontro

Ao fim de umas semanas com perfis em vários sites, marcámos o primeiro encontro com um casal. Um encontro para beber café e conversar. Pelos vistos, é o procedimento habitual para averiguar o grau de 'empatia', a qualidade que todos referem como indispensável para que possa acontecer alguma coisa mais do que conversa e café.
Chegámos antes da hora ao sítio combinado. Nunca tínhamos visto as caras deles, apenas fotografias de corpos nus. Durante uns minutos que pareciam horas, passaram por nós vários casais. Eles poderiam ser qualquer um deles. Outros tantos casais sentaram-se na mesma esplanada. Piscavamos o olho à nervoseira com piadas e risos.
Finalmente o telefone tocou. Do outro lado, a voz dela, dizendo que estavam a chegar. O marido iria à frente e acenar-nos-ia. Ao fundo, apareceu um homem alto e magro a dizer adeus com um sorriso na cara. Atrás dele, uma mulher mais baixa e arredondada. 
Os primeiros minutos foram de absoluta estranheza. Felizmente, eles eram batidos nisto e conseguiram dar a volta ao nosso incómodo. Sobretudo ele, muito simpático e falador, que nos foi contando histórias que viveram no swing. Ela, mais reservada, sorria. 
No regresso a casa, recebemos uma mensagem. Que éramos 'tesudos' e coisas do género. Tudo parecia estar bem encaminhado. Mas por uma qualquer razão que desconhecemos, nunca nada aconteceu. Talvez porque a onda deles era diferente da nossa. Ele e ela gostavam sobretudo de encontrar homens que a fodessem. E nós estávamos bem longe disso.
Deixaram de aparecer no messenger. Ao fim de uns meses, apagámos o contacto deles. 
Primeira lição aprendida. Clica-se em Block This Contact. A viagem segue dentro de momentos.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Perfis, verdades e mentiras

O nosso perfil diz que somos ambos bissexuais e que é isso que procuramos noutros casais. Pensámos que seria fácil. Não foi. 
No meio do swing, a julgar pelas centenas de perfis que já vimos, as mulheres são quase todas bi. Resta saber se o são realmente, ou se são porque os seus homens querem vê-las embrulhadas com outras. Mas isso é outra conversa.
Os homens, esses, são quase todos muito machos, estritamente heterossexuais. Ou assim parecem, se levarmos a sério o que escrevem nos perfis.
Com o tempo, descobrimos o engano a que os perfis nos levam. Foram várias as mensagens que recebemos de casais dispostos a quebrar a fronteira hetero/bi no masculino. Na maior parte dos casos, eram os homens que nos escreviam. Alguns propunham estar connosco, sem que a mulher soubesse. Par de patins com eles. Não alinhamos em esquemas desonestos.
Outros queriam que lhes explicássemos como era vida de um casal bi. Patins com eles, também. Não damos material para punhetas a desconhecidos que escondem das mulheres a sua vontade de estar com outros homens. 
Que raio de mundo este tão cheio de teias de aranha. Anunciam-se como 'casais liberais' e afinal são tão convencionais e quadrados quanto a dona ermelinda do café.