quarta-feira, 27 de agosto de 2014

os planos também se abatem

Tudo combinado. Umas horas com o touro jovem que há uns tempos nos tinha iniciado nos trios com homem. 
Mas desta vez a foda comigo estava longe dos planos. Para mim, seria apenas uma versão suave do que já se tinha passado. Uma língua aqui, uma boca ali, uma mão amiga, uns beijos e amassos. Mas não mais do que isso. Tanto tempo sem praticar e eu estava longe, muito longe, de qualquer tesão por um homem que não o meu. Ou então era a cabra moralista que vive dentro de mim. Pouco importa. O plano era este e todos estávamos contentes com que se iria passar. Para ajudar à festa, o período ameaçou aparecer ao final do dia. Tampão e ala que se faz tarde.
Na chegada ao motel, aterrámos naquela terra de ninguém dos minutos que antecedem a porcaria - um nervoso miudinho, a estranheza da conversa de chacha, a sensação de que nada irá acontecer, afinal somos todos tão bem educados que nunca nos meteremos em taradices. 
Mas a verdade é não há nada como um bom broche entre dois homens para me fazer esquecer os pruridos. Sou uma tarada, está visto. O pau do touro é enorme e largo. Vê-lo a foder a boca do meu homem deixa-me louca. Apesar dos planos, dou por mim a roçar-me naquele caralho. Quero tê-lo dentro de mim e deixo de pensar, é só a tesão de ter aquele pau colado a mim, de olhar para o meu homem e ver o prazer da cornice. Tiro o tampão e peço-lhe que me foda.
E, pela primeira vez nesta aventura do sexo com outros, sou a puta com que ele sempre sonhou. A puta que quer mais, mais fundo, mais forte, a puta que se oferece sem vergonha a um quase estranho e o transforma num corno obediente.
Suspeito que esta será a primeira de muitas fodas da puta oferecida.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

os unicórnios não existem

Chamam-lhe unicórnios. Mulheres sozinhas no estranho e admirável mundo do sexo descartável. O nome assenta-lhes bem: se calhar não existem mesmo. Ando há meses à procura disso. Nunca nada. 
Uma delas, certificadíssima pelos pares fodilhões, respondeu a uma mensagem nossa com a altivez das deusas. Deve ter tanto com que se entreter, que se dá ao luxo de ser distante e desagradável. Apresenta-se como 'um avião', marketiza-se como a última foda do universo, 'gulosa' e cheia de vontade de dar prazer 'às meninas dos casais'. Pumbas, já foste. Nem mais uma mensagem simpática para a deusa da foda.
Outra, recrutada num site de mulheres, foi uma breve e inútil esperança. Casada e com filhos, procura o amor. Sexo por sexo, não lhe interessa. Romance com uma mulher? Não, obrigada. O que eu quero mesmo é um corpo e uma cabeça que o acompanhe. Nada mais.
Outra ainda, desesperada por experimentar o que ainda não conhece, é uma enorme complicação. Tem três horas livres por dia, mora a quase duzentos quilómetros e quer que lhe aterre no colo. Seria demasiado trabalho para a pica que a conversa dela me dá: nenhuma. 
Que pena esta mania de não foder amigos. Pela amostra das minhas amigas, mais de metade ia ao tapete. Seria tão simples. Mas não é. Vou ter de continuar a procurar o que se calhar não existe. 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

maré baixa

isto do sexo com outros é uma trabalheira. De vez em quando, a paciência para espreitar perfis, lançar azóis e fazer conversa online é nula. Nessas alturas, abandona-se o cenário e regressa-se a casa. As nossas pancas, as nossas fodas. Descobrir uma e outra vez os tarados que somos. 
Um dia, não sabemos quando, a maré de fodas com outros irá regressar.