quarta-feira, 21 de maio de 2014

os unicórnios não existem

Chamam-lhe unicórnios. Mulheres sozinhas no estranho e admirável mundo do sexo descartável. O nome assenta-lhes bem: se calhar não existem mesmo. Ando há meses à procura disso. Nunca nada. 
Uma delas, certificadíssima pelos pares fodilhões, respondeu a uma mensagem nossa com a altivez das deusas. Deve ter tanto com que se entreter, que se dá ao luxo de ser distante e desagradável. Apresenta-se como 'um avião', marketiza-se como a última foda do universo, 'gulosa' e cheia de vontade de dar prazer 'às meninas dos casais'. Pumbas, já foste. Nem mais uma mensagem simpática para a deusa da foda.
Outra, recrutada num site de mulheres, foi uma breve e inútil esperança. Casada e com filhos, procura o amor. Sexo por sexo, não lhe interessa. Romance com uma mulher? Não, obrigada. O que eu quero mesmo é um corpo e uma cabeça que o acompanhe. Nada mais.
Outra ainda, desesperada por experimentar o que ainda não conhece, é uma enorme complicação. Tem três horas livres por dia, mora a quase duzentos quilómetros e quer que lhe aterre no colo. Seria demasiado trabalho para a pica que a conversa dela me dá: nenhuma. 
Que pena esta mania de não foder amigos. Pela amostra das minhas amigas, mais de metade ia ao tapete. Seria tão simples. Mas não é. Vou ter de continuar a procurar o que se calhar não existe. 

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