sábado, 28 de julho de 2012

Dez horas

Um dia aconteceu. Ao fim de oito meses em sites, a ver perfis, a falar no messenger com casais que desapareciam ao sabor da incompatibilidade mútua, um dia finalmente aconteceu. 
Um quarto de motel e dois casais. Ambos bissexuais. Com uma regra: menina com menina e menino com menino. 
Ele chupou o outro homem. Ela delirou ver. Ela empurrou a boca dele até o engasgar, pequena vingança dos broches em que quase se afoga. Ele levou com o pau do outro homem. Elas quase se vieram a ver aquela paneleirice pegada. Ela lambeu a outra mulher. Gostou tanto que a partir de então decidiu condenar à morte todo o homem que diga ah e tal não gosto muito. Minete é mel. Melhor ainda com dois dedos enfiados na macieza de uma cona húmida. Ela e ele foderam ao lado do outro homem e da outra mulher. Vieram-se todos várias vezes.

Dez horas depois de termos entrado no motel, ceámos juntos e rimos de tudo e de nada. Despedimo-nos com a certeza de que nos encontraríamos mais vezes.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Por algum lado tem de se começar

Os sites por onde andamos têm de tudo. É preciso uma paciência de relojoeiro para escolher o que deve ser visto. 
A primeira triagem faz-se com as fotografias de perfil. Planos ginecológicos são mato que é preciso desbravar. Poses provocantes ao lado de camas de bebé são tesão negativa (não arranjavam outro sítio para alçar o rabo?). Pilas ameaçadoras a olhar para nós dão vontade de fugir. Efeitos especiais foleiros, com estrelinhas e outras pirosadas vão directamente para a prateleira nem pensar.
Fase dois da selecção: a escrita. Casais que estão 'entressados' em 'conheçer' pessoas saltam fora. Quem não sabe escrever, não vale para foder.
Manias.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

À terceira é de vez

O terceiro encontro para café foi afinal um encontro para jantar. Aproveitámos uma ida ao nuorte e combinámos encontrar-nos com um casal com quem falávamos pelo messenger há algum tempo. Já os tinhamos visto pela câmara e sabíamos que não eram uns camafeus. As conversas, essas, eram divertidas e disparatadas. 
Como casal, apenas lhes interessava a cena bi. Menina com menina, menino com menino. Tudo o que cruzasse essa fronteira, estava fora.
O jantar foi divertido. E os copos num bar também. Passámos horas à conversa. Se não os tivessemos conhecido naquele contexto, poderiam ser nossos amigos. Giros, apresentáveis, cheios de humor.
Voltámos sozinhos para o hotel. E só depois, em troca de mensagens e no regresso a casa e ao messenger, descobrimos que seria uma questão de tempo para os levarmos ao tapete.
Tic tac tic tac.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Dois, número dois

O segundo encontro para café aconteceu depois de umas conversas com um casal que nos tinha encontrado num dos sites. Ela mandou uma mensagem a dizer que tinha a panca de ver o marido com outro homem. Seguiram-se umas quantas conversas no messenger, com muitos disparates e risos. Até que fomos ter com eles a uma esplanada de Lisboa.
Balde de água fria. Mal chegaram à mesa, percebemos que nunca nada se iria passar. A barriga enorme do homem ajudou. Mas o golpe de misericórdia foi dado pelos dentes. Amarelos e feios. 
Durante uma hora, fizemos conversa de chacha. A melhor maneira de nos safarmos é fazer perguntas, muitas perguntas. As pessoas adoram falar de si mesmas. 
Soubémos que durante anos iam todas as semanas a um clube de swing lisboeta, e que foram criando um grupo de amigos com quem jantavam e fodiam. Mas às tantas descobriram que estavam a construir um outro casamento. Em vez de uma só pessoa, era como se estivessem casados com várias. Deixaram-se disso. Voltaram aos sites e à pesquisa de perfis compatíveis. E foi assim que nos encontraram.
Saímos de mansinho com uma desculpa qualquer (uma reunião de trabalho? uma consulta?) e com a certeza de que nunca nada aconteceria. 
Uma ou outra vez, tentaram convidar-nos para brincadeiras. Nunca aceitámos. Tornámo-nos invisíveis no messenger e um dia o contacto deles foi apagado. 
Na semana seguinte, estavamos sentados na cadeira do dentista. Não há-de ser por isso que vamos continuar virgens.