O segundo encontro para café aconteceu depois de umas conversas com um casal que nos tinha encontrado num dos sites. Ela mandou uma mensagem a dizer que tinha a panca de ver o marido com outro homem. Seguiram-se umas quantas conversas no messenger, com muitos disparates e risos. Até que fomos ter com eles a uma esplanada de Lisboa.
Balde de água fria. Mal chegaram à mesa, percebemos que nunca nada se iria passar. A barriga enorme do homem ajudou. Mas o golpe de misericórdia foi dado pelos dentes. Amarelos e feios.
Durante uma hora, fizemos conversa de chacha. A melhor maneira de nos safarmos é fazer perguntas, muitas perguntas. As pessoas adoram falar de si mesmas.
Soubémos que durante anos iam todas as semanas a um clube de swing lisboeta, e que foram criando um grupo de amigos com quem jantavam e fodiam. Mas às tantas descobriram que estavam a construir um outro casamento. Em vez de uma só pessoa, era como se estivessem casados com várias. Deixaram-se disso. Voltaram aos sites e à pesquisa de perfis compatíveis. E foi assim que nos encontraram.
Saímos de mansinho com uma desculpa qualquer (uma reunião de trabalho? uma consulta?) e com a certeza de que nunca nada aconteceria.
Uma ou outra vez, tentaram convidar-nos para brincadeiras. Nunca aceitámos. Tornámo-nos invisíveis no messenger e um dia o contacto deles foi apagado.
Na semana seguinte, estavamos sentados na cadeira do dentista. Não há-de ser por isso que vamos continuar virgens.
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