Numa semana, duas idas ao motel. Duas estreias: com um homem sozinho e com dois casais.
Meses em que nada aconteceu com outras pessoas e, de repente, a febre da misturada caiu sobre nós.
O homem foi encontrado ao fim de meses de procura. Primeiro o encontro para a conversa, claro. Um rapaz de trinta e poucos anos, bi e rodadíssimo no esquema do engate virtual. Discreto, sem nomes nem pormenores que nos deixassem perceber mais dos que os contornos desfocados das suas experiências. No dia seguinte, foi convocado para a estreia. Homem objecto, fez tudo o que lhe pedimos. O touro que fode a mulher do cornudo, o macho que abusa do paneleiro, pau para toda a obra de horas de sexo e diversão e riso e conversa. Uma certeza: esta havemos de repetir.
Os dois casais surgiram por acaso. Um deles já tínhamos conhecido há meses, mas nunca tínhamos conseguido combinar nada. Enquanto combinávamos, sugeriram que se juntasse um outro casal, também bi, que eles já conheciam. Acedemos. Talvez com tanta gente fosse possível ficar de fora de vez em quando - e qualquer um de nós tem um mirone tarado dentro de si. Afinal, não é assim tão fácil recuar e ficar só a ver. Há sempre uma mão ou boca que nos convoca para a confusão.
Dias depois, sabemos que menos é mais. Três é o nosso número.
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