quarta-feira, 3 de julho de 2013

Tropeçar

Foram meses em que ele andou à procura. Eu saí dessa caça. Não tenho paciência para a rebarba dos homens sozinhos no magnífico mundo do sexo virtual. De vez em quando - muito de vez em quando - era chamada para uma conversa no skype, já depois de arrumar o lixo onde ele pertence: bem longe de nós.
Um dia, fomos beber um café com alguém. Um homem de cinquenta e qualquer, casado. A mulher não sonha que ele é bissexual. Chegou um homem de aspecto banalíssimo. Semicareca com umas farripas de cabelo, voz baixa, conversa hipnotizante de tão aborrecida que era. 
Aguentámos talvez vinte minutos. Mal abri a boca. Era evidente que nunca nada aconteceria.
É incrível a quantidade de pessoas que leva vidas duplas. As pessoas que as rodeiam não fazem a menor ideia do que se passa ali ao lado. Senhores com ar respeitável são afinal uns fodilhões secretos que comem o que lhes cai no prato.
Estamos tão longe deste mundo.

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