segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Segundo round

De um dia para o outro, sem as intermináveis conversas no messenger, aceitámos um convite para jantar em casa de um casal. Dez anos mais novos do que nós, ambos bicuriosos, despachados na conversa e educados. E valentes, claro. Eu nunca teria coragem para convidar desconhecidos para jantar em minha casa.
Jantar tranquilo e simpático, muita conversa e algumas gargalhadas. Tudo absolutamente composto e decente. Quem olhasse de fora, não veria nada de mais. Não havia mãozinhas indiscretas nem seduções rebarbadas.
Tanta compostura tinha de acabar. Foi ele quem sugeriu um jogo para quebrar o gelo. Cada um escreveria numa folha três coisas que gostaria de fazer e três coisas que não gostaria que acontecesse nessa noite. Os limites estavam bem aprendidos por ambos os casais. Nenhum dos homens iria foder a mulher do outro. Tudo o resto poderia acontecer.
Primeira frase a sair: ela iria fazer-me um minete. Risos e nervosismo, como saltar da absoluta decência para a luxúria? Assim de chofre, todos vestidos e aperaltados, um minete é uma coisa improvável. Não sei como, a timidez desapareceu e avancei para os beijos e para as mamas dela. Depois disso, um minete é canja. E foi.
O que aconteceu depois do primeiro passo é difícil de reconstituir. Mas gosto de lembrar os minetes que lhe fiz, a mamada à vez ao meu homem e ao homem dela, vê-la a ser fodida à canzana enquanto o meu homem lhe lambia a cona e apalpava as mamas, ser fodida de quatro enquanto mamava o outro homem,  três bocas à volta dos caralhos, os meus dedos no cu e na cona dela, imagens soltas de uma noite que se fez de gemidos e de gritos. 
Felizmente, os vizinhos são  surdos.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Como dizia não sei quem, em alta competição os erros pagam-se caro

Somos cuidadosos. 
Desde que decidimos entrar neste mundo, tivemos o cuidado de ir dando passos pequenos. De ir testando o comprimento das nossas pernas.
Primeiro, a ida a um clube liberal na holanda. Fodemos os dois, rodeados de outros que também fodiam. A tesão que sentimos rendeu uma noite interminável de variações fodísticas. Saímos de lá às quatro da manhã, com uma funcionária a chamar-nos depois de nos termos vindo pela milionésima vez. Fomos chutados porta fora. Estes estrangeiros do sul são uns tarados, só pensam em porcarias.
Depois, a ida ao prostituto. Foi ali que tive a certeza do que suspeitava: adoro ver o meu homem a ser comido por outro. Terreno seguro, podemos continuar.
E continuámos. Passo seguinte: casal exclusivamente bi. Não há drama, só há mesmo tesão e prazer. E muita diversão.
Depois desta, próximo teste. Uma mulher com ele, um homem comigo. Antes de avançarmos para um casal, escolhemos ir fazer uma massagem tântrica. Massagista masculino para mim, massagista feminina para ele. Não sei do que gostámos mais: do prazer da massagem que fez vir cada um de nós, se de ver o prazer na cara do outro a ver-nos a ser tocados.
Jusqu'ici tout va bien.
Vamos fazer mais difícil ainda? Massagem só para mim, com o meu homem a ver. Já que cheguei aqui, vamos mais longe. Abocanhei o caralho do massagista. Na verdade, não o fiz por mim, mas pelo meu homem. Sei o quanto ele se excita a imaginar-me com outro. Ele foi generoso, e como sabe que eu gosto, avançou e partilhámos aquele pau enquanto o pobre trabalhador me masturbava. 
Podemos dar um passo mais à frente. Próxima paragem: ele toca noutras mulheres, eu toco noutros homens.


domingo, 2 de setembro de 2012

Dunas são como divãs

Mais uma sessão com os nossos amigos fodíveis.
Cenário: motel no norte. Adereços muitos: strap on, lubrificantes, algemas. Um jacuzzi em vez da piscina do primeiro encontro. Uma tarde de foda, uma saída para jantar, uma noite de foda. E desta vez, dormimos quatro numa cama para dois.
A perfeição quase existe. Não fosse a interdição de toques hetero, éramos meninos para nos tornarmos amantes deste casal.
Depois da terceira, decidimos que teríamos de fazer uma pausa com eles. Talvez já não houvesse mais caminho para fazermos os quatro. Dentro dos limites acordados, já tinhamos explorado todas as combinações possíveis. Ou talvez tivessemos sentido a estranheza de tanta intimidade com outro casal. 
Agora que penso nisso, sinto saudades daqueles dois. Gostamos deles. 
Fraquezas de um casal pecaminoso.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Uma noite de hotel

Um mês depois do primeiro encontro, encontramo-nos a meio caminho. Desta vez num hotel com um quarto de quatro pessoas. Desta vez, sem o secretismo dos motéis. Éramos dois casais que dormiam no mesmo quarto.
Chegaram perfumados e bebemos um whisky numa esplanada. Ela puxou a minha mão e fez-me descobri uma cona sem cuecas por baixo da saia. Isto prometia.
No quarto, fizémos a revisão da matéria dada. Desta vez sem a timidez do primeiro encontro. Ajoelhei-me e lambi a sua cona. Entre uma e outra vez, fiquei com saudades de a lamber e de sentir a sua cona macia por dentro.
Daí para a frente, a confusão total. Às quatro da manhã, depois de um dia intenso de trabalho e de várias horas a foder, quase desmaiei de cansaço. Adormecemos por algumas horas e mal acordámos já estávamos outra vez a foder.
Ser um casal swinger dá cabo do cabedal. Quase mortos, regressámos a Lisboa. 
Durante dois dias, a minha língua dormente lembrou-me de todos os pecados que cometi naquela noite no hotel.

sábado, 28 de julho de 2012

Dez horas

Um dia aconteceu. Ao fim de oito meses em sites, a ver perfis, a falar no messenger com casais que desapareciam ao sabor da incompatibilidade mútua, um dia finalmente aconteceu. 
Um quarto de motel e dois casais. Ambos bissexuais. Com uma regra: menina com menina e menino com menino. 
Ele chupou o outro homem. Ela delirou ver. Ela empurrou a boca dele até o engasgar, pequena vingança dos broches em que quase se afoga. Ele levou com o pau do outro homem. Elas quase se vieram a ver aquela paneleirice pegada. Ela lambeu a outra mulher. Gostou tanto que a partir de então decidiu condenar à morte todo o homem que diga ah e tal não gosto muito. Minete é mel. Melhor ainda com dois dedos enfiados na macieza de uma cona húmida. Ela e ele foderam ao lado do outro homem e da outra mulher. Vieram-se todos várias vezes.

Dez horas depois de termos entrado no motel, ceámos juntos e rimos de tudo e de nada. Despedimo-nos com a certeza de que nos encontraríamos mais vezes.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Por algum lado tem de se começar

Os sites por onde andamos têm de tudo. É preciso uma paciência de relojoeiro para escolher o que deve ser visto. 
A primeira triagem faz-se com as fotografias de perfil. Planos ginecológicos são mato que é preciso desbravar. Poses provocantes ao lado de camas de bebé são tesão negativa (não arranjavam outro sítio para alçar o rabo?). Pilas ameaçadoras a olhar para nós dão vontade de fugir. Efeitos especiais foleiros, com estrelinhas e outras pirosadas vão directamente para a prateleira nem pensar.
Fase dois da selecção: a escrita. Casais que estão 'entressados' em 'conheçer' pessoas saltam fora. Quem não sabe escrever, não vale para foder.
Manias.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

À terceira é de vez

O terceiro encontro para café foi afinal um encontro para jantar. Aproveitámos uma ida ao nuorte e combinámos encontrar-nos com um casal com quem falávamos pelo messenger há algum tempo. Já os tinhamos visto pela câmara e sabíamos que não eram uns camafeus. As conversas, essas, eram divertidas e disparatadas. 
Como casal, apenas lhes interessava a cena bi. Menina com menina, menino com menino. Tudo o que cruzasse essa fronteira, estava fora.
O jantar foi divertido. E os copos num bar também. Passámos horas à conversa. Se não os tivessemos conhecido naquele contexto, poderiam ser nossos amigos. Giros, apresentáveis, cheios de humor.
Voltámos sozinhos para o hotel. E só depois, em troca de mensagens e no regresso a casa e ao messenger, descobrimos que seria uma questão de tempo para os levarmos ao tapete.
Tic tac tic tac.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Dois, número dois

O segundo encontro para café aconteceu depois de umas conversas com um casal que nos tinha encontrado num dos sites. Ela mandou uma mensagem a dizer que tinha a panca de ver o marido com outro homem. Seguiram-se umas quantas conversas no messenger, com muitos disparates e risos. Até que fomos ter com eles a uma esplanada de Lisboa.
Balde de água fria. Mal chegaram à mesa, percebemos que nunca nada se iria passar. A barriga enorme do homem ajudou. Mas o golpe de misericórdia foi dado pelos dentes. Amarelos e feios. 
Durante uma hora, fizemos conversa de chacha. A melhor maneira de nos safarmos é fazer perguntas, muitas perguntas. As pessoas adoram falar de si mesmas. 
Soubémos que durante anos iam todas as semanas a um clube de swing lisboeta, e que foram criando um grupo de amigos com quem jantavam e fodiam. Mas às tantas descobriram que estavam a construir um outro casamento. Em vez de uma só pessoa, era como se estivessem casados com várias. Deixaram-se disso. Voltaram aos sites e à pesquisa de perfis compatíveis. E foi assim que nos encontraram.
Saímos de mansinho com uma desculpa qualquer (uma reunião de trabalho? uma consulta?) e com a certeza de que nunca nada aconteceria. 
Uma ou outra vez, tentaram convidar-nos para brincadeiras. Nunca aceitámos. Tornámo-nos invisíveis no messenger e um dia o contacto deles foi apagado. 
Na semana seguinte, estavamos sentados na cadeira do dentista. Não há-de ser por isso que vamos continuar virgens.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O primeiro encontro

Ao fim de umas semanas com perfis em vários sites, marcámos o primeiro encontro com um casal. Um encontro para beber café e conversar. Pelos vistos, é o procedimento habitual para averiguar o grau de 'empatia', a qualidade que todos referem como indispensável para que possa acontecer alguma coisa mais do que conversa e café.
Chegámos antes da hora ao sítio combinado. Nunca tínhamos visto as caras deles, apenas fotografias de corpos nus. Durante uns minutos que pareciam horas, passaram por nós vários casais. Eles poderiam ser qualquer um deles. Outros tantos casais sentaram-se na mesma esplanada. Piscavamos o olho à nervoseira com piadas e risos.
Finalmente o telefone tocou. Do outro lado, a voz dela, dizendo que estavam a chegar. O marido iria à frente e acenar-nos-ia. Ao fundo, apareceu um homem alto e magro a dizer adeus com um sorriso na cara. Atrás dele, uma mulher mais baixa e arredondada. 
Os primeiros minutos foram de absoluta estranheza. Felizmente, eles eram batidos nisto e conseguiram dar a volta ao nosso incómodo. Sobretudo ele, muito simpático e falador, que nos foi contando histórias que viveram no swing. Ela, mais reservada, sorria. 
No regresso a casa, recebemos uma mensagem. Que éramos 'tesudos' e coisas do género. Tudo parecia estar bem encaminhado. Mas por uma qualquer razão que desconhecemos, nunca nada aconteceu. Talvez porque a onda deles era diferente da nossa. Ele e ela gostavam sobretudo de encontrar homens que a fodessem. E nós estávamos bem longe disso.
Deixaram de aparecer no messenger. Ao fim de uns meses, apagámos o contacto deles. 
Primeira lição aprendida. Clica-se em Block This Contact. A viagem segue dentro de momentos.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Perfis, verdades e mentiras

O nosso perfil diz que somos ambos bissexuais e que é isso que procuramos noutros casais. Pensámos que seria fácil. Não foi. 
No meio do swing, a julgar pelas centenas de perfis que já vimos, as mulheres são quase todas bi. Resta saber se o são realmente, ou se são porque os seus homens querem vê-las embrulhadas com outras. Mas isso é outra conversa.
Os homens, esses, são quase todos muito machos, estritamente heterossexuais. Ou assim parecem, se levarmos a sério o que escrevem nos perfis.
Com o tempo, descobrimos o engano a que os perfis nos levam. Foram várias as mensagens que recebemos de casais dispostos a quebrar a fronteira hetero/bi no masculino. Na maior parte dos casos, eram os homens que nos escreviam. Alguns propunham estar connosco, sem que a mulher soubesse. Par de patins com eles. Não alinhamos em esquemas desonestos.
Outros queriam que lhes explicássemos como era vida de um casal bi. Patins com eles, também. Não damos material para punhetas a desconhecidos que escondem das mulheres a sua vontade de estar com outros homens. 
Que raio de mundo este tão cheio de teias de aranha. Anunciam-se como 'casais liberais' e afinal são tão convencionais e quadrados quanto a dona ermelinda do café.