quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Agá doizone

Numa semana, duas idas ao motel. Duas estreias: com um homem sozinho e com dois casais.
Meses em que nada aconteceu com outras pessoas e, de repente, a febre da misturada caiu sobre nós.
O homem foi encontrado ao fim de meses de procura. Primeiro o encontro para a conversa, claro. Um rapaz de trinta e poucos anos, bi e rodadíssimo no esquema do engate virtual. Discreto, sem nomes nem pormenores que nos deixassem perceber mais dos que os contornos desfocados das suas experiências. No dia seguinte, foi convocado para a estreia. Homem objecto, fez tudo o que lhe pedimos. O touro que fode a mulher do cornudo, o macho que abusa do paneleiro, pau para toda a obra de horas de  sexo e diversão e riso e conversa. Uma certeza: esta havemos de repetir. 
Os dois casais surgiram por acaso. Um deles já tínhamos conhecido há meses, mas nunca tínhamos conseguido combinar nada. Enquanto combinávamos, sugeriram que se juntasse um outro casal, também bi, que eles já conheciam. Acedemos. Talvez com tanta gente fosse possível ficar de fora de vez em quando - e qualquer um de nós tem um mirone tarado dentro de si. Afinal, não é assim tão fácil recuar e ficar só a ver. Há sempre uma mão ou boca que nos convoca para a confusão. 
Dias depois, sabemos que menos é mais. Três é o nosso número.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Tropeçar

Foram meses em que ele andou à procura. Eu saí dessa caça. Não tenho paciência para a rebarba dos homens sozinhos no magnífico mundo do sexo virtual. De vez em quando - muito de vez em quando - era chamada para uma conversa no skype, já depois de arrumar o lixo onde ele pertence: bem longe de nós.
Um dia, fomos beber um café com alguém. Um homem de cinquenta e qualquer, casado. A mulher não sonha que ele é bissexual. Chegou um homem de aspecto banalíssimo. Semicareca com umas farripas de cabelo, voz baixa, conversa hipnotizante de tão aborrecida que era. 
Aguentámos talvez vinte minutos. Mal abri a boca. Era evidente que nunca nada aconteceria.
É incrível a quantidade de pessoas que leva vidas duplas. As pessoas que as rodeiam não fazem a menor ideia do que se passa ali ao lado. Senhores com ar respeitável são afinal uns fodilhões secretos que comem o que lhes cai no prato.
Estamos tão longe deste mundo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Os artistas são portugueses

Mais uma corrida, mais uma viagem. Desta vez a Barcelona. Uns dias noutra cidade e um roteiro de libertinagem delineado.
Primeira paragem: um clube de casais liberais. Chegámos cedo e tivemos uma visita guiada pelos três andares. Sauna, jacuzzi, piscina, um pequeno terraço cheio de aquecedores onde se podia fumar, salas com colchões espalhados, um quarto escuro, um quarto bissexual (é aqui que os homens bi podem soltar a tesão), balneários, discoteca (com música mais foleira do que os bailes de agosto nas aldeias portuguesas), um bar. 
Fomos saltando de sítio em sítio, até nos decidirmos a despir as roupas e ir buscar a toalha e pareos que nos esperavam nos cacifos. Sofisticação erótica zero. Dezenas de pessoas de havaianas e pareos a passearem pelos vários andares. Ao fim de umas horas, percebemos que os chinelos se misturam e se perdem, que os pareos todos iguais se confundem e desaparecem nos quartos da acção, que a tentativa de higiene acaba por resultar num festim de fungos, com havainas a andarem de pé em pé.
Mas houve mais do que apenas crítica quase profissional ao clube. Houve também confusão, claro. Afinal, foi para isso que lá fomos. Numa das salas onde nos juntámos à molhada que gemia, acabámos misturados com um casal espanhol. E finalmente o passo seguinte foi dado: o meu homem fodeu-a e eu fodi com o homem dela. 
Allez hop!, mais difícil ainda. Não custou nada. Não houve ciúmes nem drama. Apenas tesão e corpos. E nós os dois ali juntos. 
Sabemos agora o que nos espera. Para o infinito e mais além.