terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Agora é ela que manda.

É hoje que me estreio neste blogue onde é sempre ela que tem escrito.

Como sabem, se leram os posts para baixo, a nossa relação foi evoluindo do swing com casais para algumas experiências com um single. Mas o “incidente” que ela aqui vos contou, e de que não me orgulho (um dia conto aqui como a coisa foi evoluindo e aconteceu assim), acabou por marcar uma nova fase na nossa relação. Ela já aqui explicou como começou, nos últimos dias, a fazer de mim uma menina. A sua menina ridícula de cuequinhas, que ela pode oferecer a quem quer. Como a sua vingança implicou integrar a minha fantasia na sua própria vontade de me humilhar. E como isso me deixou nervoso, vulnerável e incrivelmente excitado.

Sim, a nossa relação sexual deu uma reviravolta e a humilhação, que já estava presente nas minhas fantasias e taras, transformou-se numa verdadeira submissão à sua vontade. Ela manda, gosta de mandar e eu gosto de obedecer. Tão simples como isso.

Depois das primeiras incursões exploratórias, na sexta e no sábado, voltámos à carga. Penso que foi à noite. Desta vez a conversa derivou para outra componente deste meu novo papel de “capacho”: ser corno. Isto, claro, não se separa da humilhação das cuequinhas e de como isto vai diminuindo a minha masculinidade aos seus olhos. Pelo menos nos momentos de maior excitação e loucura. Durante a foda, de vez enquanto fui penetrando-a. Houve mesmo um momento em que a penetrei com um strapon que posto na cintura, substituiu o meu pau, que não é nada mau. Não é mau mas aquilo ficava a ganhar em rigidez e grossura. Ela foi-me falando, sem medo ou rodeios, de um amante que tivera antes de mim. Sem nomes, fiquei a saber que tinha um pau colossal, bem grosso, e que, ao contrário de mim, aguentava continuar a foder logo depois de se vir. A parte que mais me excitou foi quando, estava eu a fodê-la lentamente, me explicou que, com ele, ela se vinha em duas ou três estocadas. Nada destas conversas eram na realidade novas. Já outras vezes tínhamos explorado esta fantasia. Mas havia uma diferença abissal: desta vez ela estava a contar uma história real, não uma fantasia. E isso percebia-se de forma muito clara. Não me estava a queerer apenas a agradar ou excitar. Estava a ter um prazer novo com a sua nova posição, onde dizer aquilo, a sério, era possível e definia o meu novo lugar.

Depois, com uma sinceridade totalmente nova, explicou como queria mesmo encornar-me. Não apenas, como acontecera com o jovem toro, ser comida por outro à minha frente e haver umas cenas bi. A humilhação, com o meu novo papel de mulherzinha obediente, passaria para um outro patamar e isso via-se nos seus olhos, entre a raiva e a excitação. Que me faziam ter medo, vergonha, sentir-me diminuído e brutalmente excitado. Eu, homem seguro em todas as ocasiões, totalmente desarmado por uma mulher. E a gostar (apesar de o temer) disso. Ainda assim, quando falou de me trair sem ser na minha presença, mas avisando-me antes e contando tudo depois, pensei que estivesse só a alimentar a minha fantasia. A minha voz tremeu, saiu baixinha – até isso muda neste papel novo que me deixa sem chão –, perguntando se falava a sério. A forma como disse “é mesmo a sério, quero fazer isso” acelerou-me o coração e aqueceu-me o sangue na cabeça até à tontura. Com medo, nervoso, imensa tesão.


A foda acabou com ela a masturbar-se com o dildo, eu a esporrar-me nele e na cona dela para que a minha esporra servisse de lubrificante e ela a vir-se, excitada com o papel de “hot wife”, como nunca a tinha visto. Porque agora ela não o faz para me agradar. Fá-lo para me diminuir. Dantes eu tinha o controlo e era aquilo que desejava. Agora, podendo parar tudo (claro), é ela que manda. E parece-me que, no meio da raiva e da tesão, ela descobriu que gosta de mandar em mim. Eu não poderia gostar mais. Ser corno dela, às vezes sua menina e à disposição, apesar do meu corpo masculino e toda a minha segurança, é uma segunda pele onde me sinto totalmente realizado (mas nada seguro). Havemos de passar à prática. Isso depende, claro, como as coisas agora são, apenas da vontade dela. Mas o começo já me está a deixar doido. Estar pela primeira vez na minha vida nas mãos da vontade de alguém... É tudo o que não suporto. Talvez por isso me deixe tão louco de tesão. Ela controla-me, vinga-se de mim e sente-se feliz com isso. Espero que continue a gostar. Por mim, serei corninho e a sua putinha sempre que ela mandar.

Fasten your seatbelts

UM DIA QUALQUER
Ele emprestou-me o telefone para eu tratar de um assunto. Quando desliguei, apareceram vários separadores. Num deles, vi uma foto que me tirou o chão debaixo dos pés. Ele tinha-se vestido com cuecas de mulher. Espreitei as outras fotos. De vários ângulos, o rabo de homem tinha um fio dental. O caralho estava preso numas cuecas pretas com brilhantes. Numa das fotos, via-se o butt plug enfiado no cu.
Durante dois dias, nada disse. Estava confusa, mas a vida de todos os dias fez com que fosse adiando a conversa: os filhos, jantares e combinações.
Numa manhã, bati à porta da casa de banho. Enquanto ele respondia, abri a porta e vi-o ao fundo a virar o ipad contra a parede. O chão voltou a fugir-me. No quarto, descobri o iphone dele. Marquei o código e caiu-me tudo ao chão. Um skype que eu não conhecia estava aberto e havia várias conversas. Eram homens que falavam com ele. Li a frase ‘és tão linda’ e pousei o telefone horrorizada. Fumei um dos cigarros mais tensos da minha vida. Sabia que tinha que o confrontar. Quando ele saiu da casa de banho, atirei ‘Diz-me o que se está a passar’. Ele não percebeu logo. Falei-lhe das fotos, do ipad virado e das conversas no skype que tinha visto.
Foi uma conversa penosa. Garantiu-me que não me tinha traído. Mas para mim a traição começou quando ele criou o skype e engatou gajos para punhetas. E continuou com as cuecas que comprou, com as fotos que tirou, com a outra vida que estava a ter num mundo sem carne nem osso, mas com tudo o que se pode imaginar e que acaba em esporradelas.
Foi uma conversa difícil. Ele estava envergonhado. Muito envergonhado. Eu estava triste. Se calhar ele teria preferido se eu me tivesse zangado, mas isso não aconteceu. disse-lhe que tinha que digerir tudo, que não sabia o que nos ia acontecer.
Embora sempre tenha achado o crossdressing uma coisa ridícula, foi crescendo no meu silêncio uma tesão inesperada. Comecei a pensar em maneiras de integrar o inevitável na nossa vida.

SEXTA
Uns dias mais tarde, já sem filhos em casa, sozinha em casa. Tínhamos um jantar combinado com amigos para daí a 2h. Mas a tesão não me largava. Mandei-lhe uma mensagem..

Eu: Ando cheia de ideias de maldades. Vais sofrer tanto. Ou não.
Ele: E que maldades são essas? Fico curioso...
Eu: Se não demorares muito, pode ser que descubras antes do jantar que temos combinado.
Ele: A caminho. talvez com medo.
EU: Finge que apanhaste trânsito e chega aqui às 21h. Assim não precisas de ter medo. Por agora, claro.
ELE: Arrisco e vou já.
EU: Gato guloso.
ELE: Sabes que sim.
ELE: Abres-me a curiosidade e o apetite, mulher.
EU: Vais directo para a casa de banho e tomas duche. Quero-te lavado.
ELE: OK
ELE: E depois vou ter onde? A que divisão?
EU: Quero que ponhas aquelas cuecas de puta depois de te lavares.
ELE: Tu não gostas disso...
EU: Quando estiveres lavado e vestido de puta mandas-me mg e encontramo-nos no quarto.
ELE: Só cuecas?
EU: Por agora só cuecas, não temos muito tempo. Saímos às 21.
EU: Só vais para o quarto quando te disser que podes ir.
EU: Manda msg quando entrares na casa de banho já com as cuecas na mão para te lavares e mudares. Fecha as portas da casa de banho. Só abres a porta para ires para o quarto quando eu mandar.

Eu estava no escuro do quintal quando ele chegou. Vi-o a entrar na casa de banho. Entrei em casa, fechei-me no quarto. As luzes estavam baixas. Sentei-me no cadeirão, vestida. No chão ao meu lado, o nosso arsenal de brinquedos: algemas, vibrador, dildos, butt plug. Sentia-me molhada. Sabia o que iria fazer-lhe.

Ouvi o duche a acabar e fui imaginando os seus passos. Pediu para entrar por mensagem. Apareceu-me ao fundo, despido só com as cuecas de puta que eu tinha visto nas fotos. Um homem grande e peludo vestido com umas cuecas foleiras de sex shop. Um homem envergonhado e com medo, que eu ia castigar. Mandei-o aproximar-se e olhei-o, ‘Olha as cuecas com que te andaste a oferecer aos teus amigos’. Sentia a vergonha dele e o meu poder.
Mandei-o virar-se e apoiar-se na cama com o cu espetado. Ele não falava. Fui falando calmamente com ele, uma espécie de raiva e prazer em humilhá-lo, em lembrá-lo da puta oferecida que ele era, que vergonha, um homem que fica com tesão quando veste roupa de mulher. Com os dedos lubrificados, descobri a cona dele. 'Estás com fome nesta cona, minha puta?' Ele respondia baixinho, sim, o medo e a expectativa na maneira como se sujeitava a tudo. Depois de sentir o cu dele, de enfiar dois dedos e de o foder levemente, enfiei-lhe o butt plug. ‘Cuidado, não sei se aguento’, ‘Aguentas pois, não te faças de virgem minha puta oferecida’. O butt plug entrou todo. Todo.
Despi as calças e disse ‘Vem cá lamber uma cona a sério’. Ele estava de joelhos, com as cuecas de gaja e com o butt plug no cu. ‘Gostavas de ter uma cona assim, minha puta?’, ele disse que sim com a cabeça.
Sentei-me na cadeira e mandei-o lamber-me. Estava encharcada. Expliquei que queria vir-me com ele a lamber-me naquela triste figura. Que ele não iria vir-se. Que ele iria para o jantar com os nossos amigos com aquelas cuecas vestidas. Que só nós os dois saberíamos a puta que ele era, com um fio dental na noite lisboeta. E que quando voltássemos eu lhe comeria o cu.
Antes das nove eu já me tinha vindo. Vestimo-nos e saímos para o jantar. A minha puta secreta levou as cuecas de gaja.

Quando voltámos fodi-lhe o cu. Ele tornou-se numa puta obediente excitada. Pediu-me para lhe explicar como a nossa vida tinha mudado. Eu contei-lhe como seria a partir de agora. Iamos comprar uma cabeleira e uma máscara e mais roupa de gaja. Quando eu mandar, ele vai engatar gajos online. E vai-se exibir para eles, vai bater punhetas quando eu disser que pode, vai foder o próprio cu vestido de mulher e mostrar-se aos seus ‘amigos’. Só se vem quando eu deixar.  Eu vou tratar a minha puta como quiser: umas vezes mal, humilhando-a e fazendo-se sentir a vergonha que é; outras vezes vou trata-la bem, beijá-la e dar-lhe mimos. Ela é minha.


SÁBADO
De manhã, eu trabalhava. Ele acordou. Percebi que tudo estava mais ou menos como antes. Mais ou menos porque ele estava nervoso quando falava comigo. Mandei-o vir para perto de mim, disse-lhe que não tinha que ter medo de nada. Beijámo-nos. A voz meia sumida voltou a aparecer. Sugeriu-me que fossemos para o quarto, mas eu obriguei-o a pedir-me por favor. Obediente, pediu.
Nos amassos no quarto, disse que gostava de me foder. No meio da conversa, confessou-me que também tinha tirado fotografias com cuecas minhas. Mandei-o procurá-las e vesti-las. Vestiu umas cuecas de renda azul escuras e deitou-se ao meu lado. Apalpei-lhe o caralho através da renda, puxei-lhe o fio dental para dentro do cu. E, mais uma vez, senti-me dona dele. Só me tocava onde e quando eu dizia, só se tocava se eu deixava. Disse-lhe que era um desperdício ter um caralho tão bom, quando o que ele gosta mesmo é de levar no cu, ser humilhado e e vestir-se de gaja. Mas quis sentir aquele caralho grosso e duro. Ele fodeu-me à velocidade que eu quis. Segurava-lhe nas ancas e enterrava mais o fio dental no cu. Disse que ia começar a treiná-lo. Quero que te venhas dentro de mim e depois lambas toda a tua esporra; eu venho-me quando me lamberes. Sabia que isso lhe iria custar porque depois de se vir as fantasias acabam. Mas era o que eu queria. E assim foi. Esporrou-se dentro de mim e lambeu-me toda. Eu vim-me que nem uma louca. Tenho uma puta obediente em casa.

quarta-feira, 27 de agosto de 2014

os planos também se abatem

Tudo combinado. Umas horas com o touro jovem que há uns tempos nos tinha iniciado nos trios com homem. 
Mas desta vez a foda comigo estava longe dos planos. Para mim, seria apenas uma versão suave do que já se tinha passado. Uma língua aqui, uma boca ali, uma mão amiga, uns beijos e amassos. Mas não mais do que isso. Tanto tempo sem praticar e eu estava longe, muito longe, de qualquer tesão por um homem que não o meu. Ou então era a cabra moralista que vive dentro de mim. Pouco importa. O plano era este e todos estávamos contentes com que se iria passar. Para ajudar à festa, o período ameaçou aparecer ao final do dia. Tampão e ala que se faz tarde.
Na chegada ao motel, aterrámos naquela terra de ninguém dos minutos que antecedem a porcaria - um nervoso miudinho, a estranheza da conversa de chacha, a sensação de que nada irá acontecer, afinal somos todos tão bem educados que nunca nos meteremos em taradices. 
Mas a verdade é não há nada como um bom broche entre dois homens para me fazer esquecer os pruridos. Sou uma tarada, está visto. O pau do touro é enorme e largo. Vê-lo a foder a boca do meu homem deixa-me louca. Apesar dos planos, dou por mim a roçar-me naquele caralho. Quero tê-lo dentro de mim e deixo de pensar, é só a tesão de ter aquele pau colado a mim, de olhar para o meu homem e ver o prazer da cornice. Tiro o tampão e peço-lhe que me foda.
E, pela primeira vez nesta aventura do sexo com outros, sou a puta com que ele sempre sonhou. A puta que quer mais, mais fundo, mais forte, a puta que se oferece sem vergonha a um quase estranho e o transforma num corno obediente.
Suspeito que esta será a primeira de muitas fodas da puta oferecida.

quarta-feira, 21 de maio de 2014

os unicórnios não existem

Chamam-lhe unicórnios. Mulheres sozinhas no estranho e admirável mundo do sexo descartável. O nome assenta-lhes bem: se calhar não existem mesmo. Ando há meses à procura disso. Nunca nada. 
Uma delas, certificadíssima pelos pares fodilhões, respondeu a uma mensagem nossa com a altivez das deusas. Deve ter tanto com que se entreter, que se dá ao luxo de ser distante e desagradável. Apresenta-se como 'um avião', marketiza-se como a última foda do universo, 'gulosa' e cheia de vontade de dar prazer 'às meninas dos casais'. Pumbas, já foste. Nem mais uma mensagem simpática para a deusa da foda.
Outra, recrutada num site de mulheres, foi uma breve e inútil esperança. Casada e com filhos, procura o amor. Sexo por sexo, não lhe interessa. Romance com uma mulher? Não, obrigada. O que eu quero mesmo é um corpo e uma cabeça que o acompanhe. Nada mais.
Outra ainda, desesperada por experimentar o que ainda não conhece, é uma enorme complicação. Tem três horas livres por dia, mora a quase duzentos quilómetros e quer que lhe aterre no colo. Seria demasiado trabalho para a pica que a conversa dela me dá: nenhuma. 
Que pena esta mania de não foder amigos. Pela amostra das minhas amigas, mais de metade ia ao tapete. Seria tão simples. Mas não é. Vou ter de continuar a procurar o que se calhar não existe. 

quarta-feira, 9 de abril de 2014

maré baixa

isto do sexo com outros é uma trabalheira. De vez em quando, a paciência para espreitar perfis, lançar azóis e fazer conversa online é nula. Nessas alturas, abandona-se o cenário e regressa-se a casa. As nossas pancas, as nossas fodas. Descobrir uma e outra vez os tarados que somos. 
Um dia, não sabemos quando, a maré de fodas com outros irá regressar.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Agá doizone

Numa semana, duas idas ao motel. Duas estreias: com um homem sozinho e com dois casais.
Meses em que nada aconteceu com outras pessoas e, de repente, a febre da misturada caiu sobre nós.
O homem foi encontrado ao fim de meses de procura. Primeiro o encontro para a conversa, claro. Um rapaz de trinta e poucos anos, bi e rodadíssimo no esquema do engate virtual. Discreto, sem nomes nem pormenores que nos deixassem perceber mais dos que os contornos desfocados das suas experiências. No dia seguinte, foi convocado para a estreia. Homem objecto, fez tudo o que lhe pedimos. O touro que fode a mulher do cornudo, o macho que abusa do paneleiro, pau para toda a obra de horas de  sexo e diversão e riso e conversa. Uma certeza: esta havemos de repetir. 
Os dois casais surgiram por acaso. Um deles já tínhamos conhecido há meses, mas nunca tínhamos conseguido combinar nada. Enquanto combinávamos, sugeriram que se juntasse um outro casal, também bi, que eles já conheciam. Acedemos. Talvez com tanta gente fosse possível ficar de fora de vez em quando - e qualquer um de nós tem um mirone tarado dentro de si. Afinal, não é assim tão fácil recuar e ficar só a ver. Há sempre uma mão ou boca que nos convoca para a confusão. 
Dias depois, sabemos que menos é mais. Três é o nosso número.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Tropeçar

Foram meses em que ele andou à procura. Eu saí dessa caça. Não tenho paciência para a rebarba dos homens sozinhos no magnífico mundo do sexo virtual. De vez em quando - muito de vez em quando - era chamada para uma conversa no skype, já depois de arrumar o lixo onde ele pertence: bem longe de nós.
Um dia, fomos beber um café com alguém. Um homem de cinquenta e qualquer, casado. A mulher não sonha que ele é bissexual. Chegou um homem de aspecto banalíssimo. Semicareca com umas farripas de cabelo, voz baixa, conversa hipnotizante de tão aborrecida que era. 
Aguentámos talvez vinte minutos. Mal abri a boca. Era evidente que nunca nada aconteceria.
É incrível a quantidade de pessoas que leva vidas duplas. As pessoas que as rodeiam não fazem a menor ideia do que se passa ali ao lado. Senhores com ar respeitável são afinal uns fodilhões secretos que comem o que lhes cai no prato.
Estamos tão longe deste mundo.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Os artistas são portugueses

Mais uma corrida, mais uma viagem. Desta vez a Barcelona. Uns dias noutra cidade e um roteiro de libertinagem delineado.
Primeira paragem: um clube de casais liberais. Chegámos cedo e tivemos uma visita guiada pelos três andares. Sauna, jacuzzi, piscina, um pequeno terraço cheio de aquecedores onde se podia fumar, salas com colchões espalhados, um quarto escuro, um quarto bissexual (é aqui que os homens bi podem soltar a tesão), balneários, discoteca (com música mais foleira do que os bailes de agosto nas aldeias portuguesas), um bar. 
Fomos saltando de sítio em sítio, até nos decidirmos a despir as roupas e ir buscar a toalha e pareos que nos esperavam nos cacifos. Sofisticação erótica zero. Dezenas de pessoas de havaianas e pareos a passearem pelos vários andares. Ao fim de umas horas, percebemos que os chinelos se misturam e se perdem, que os pareos todos iguais se confundem e desaparecem nos quartos da acção, que a tentativa de higiene acaba por resultar num festim de fungos, com havainas a andarem de pé em pé.
Mas houve mais do que apenas crítica quase profissional ao clube. Houve também confusão, claro. Afinal, foi para isso que lá fomos. Numa das salas onde nos juntámos à molhada que gemia, acabámos misturados com um casal espanhol. E finalmente o passo seguinte foi dado: o meu homem fodeu-a e eu fodi com o homem dela. 
Allez hop!, mais difícil ainda. Não custou nada. Não houve ciúmes nem drama. Apenas tesão e corpos. E nós os dois ali juntos. 
Sabemos agora o que nos espera. Para o infinito e mais além.

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

Segundo round

De um dia para o outro, sem as intermináveis conversas no messenger, aceitámos um convite para jantar em casa de um casal. Dez anos mais novos do que nós, ambos bicuriosos, despachados na conversa e educados. E valentes, claro. Eu nunca teria coragem para convidar desconhecidos para jantar em minha casa.
Jantar tranquilo e simpático, muita conversa e algumas gargalhadas. Tudo absolutamente composto e decente. Quem olhasse de fora, não veria nada de mais. Não havia mãozinhas indiscretas nem seduções rebarbadas.
Tanta compostura tinha de acabar. Foi ele quem sugeriu um jogo para quebrar o gelo. Cada um escreveria numa folha três coisas que gostaria de fazer e três coisas que não gostaria que acontecesse nessa noite. Os limites estavam bem aprendidos por ambos os casais. Nenhum dos homens iria foder a mulher do outro. Tudo o resto poderia acontecer.
Primeira frase a sair: ela iria fazer-me um minete. Risos e nervosismo, como saltar da absoluta decência para a luxúria? Assim de chofre, todos vestidos e aperaltados, um minete é uma coisa improvável. Não sei como, a timidez desapareceu e avancei para os beijos e para as mamas dela. Depois disso, um minete é canja. E foi.
O que aconteceu depois do primeiro passo é difícil de reconstituir. Mas gosto de lembrar os minetes que lhe fiz, a mamada à vez ao meu homem e ao homem dela, vê-la a ser fodida à canzana enquanto o meu homem lhe lambia a cona e apalpava as mamas, ser fodida de quatro enquanto mamava o outro homem,  três bocas à volta dos caralhos, os meus dedos no cu e na cona dela, imagens soltas de uma noite que se fez de gemidos e de gritos. 
Felizmente, os vizinhos são  surdos.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

Como dizia não sei quem, em alta competição os erros pagam-se caro

Somos cuidadosos. 
Desde que decidimos entrar neste mundo, tivemos o cuidado de ir dando passos pequenos. De ir testando o comprimento das nossas pernas.
Primeiro, a ida a um clube liberal na holanda. Fodemos os dois, rodeados de outros que também fodiam. A tesão que sentimos rendeu uma noite interminável de variações fodísticas. Saímos de lá às quatro da manhã, com uma funcionária a chamar-nos depois de nos termos vindo pela milionésima vez. Fomos chutados porta fora. Estes estrangeiros do sul são uns tarados, só pensam em porcarias.
Depois, a ida ao prostituto. Foi ali que tive a certeza do que suspeitava: adoro ver o meu homem a ser comido por outro. Terreno seguro, podemos continuar.
E continuámos. Passo seguinte: casal exclusivamente bi. Não há drama, só há mesmo tesão e prazer. E muita diversão.
Depois desta, próximo teste. Uma mulher com ele, um homem comigo. Antes de avançarmos para um casal, escolhemos ir fazer uma massagem tântrica. Massagista masculino para mim, massagista feminina para ele. Não sei do que gostámos mais: do prazer da massagem que fez vir cada um de nós, se de ver o prazer na cara do outro a ver-nos a ser tocados.
Jusqu'ici tout va bien.
Vamos fazer mais difícil ainda? Massagem só para mim, com o meu homem a ver. Já que cheguei aqui, vamos mais longe. Abocanhei o caralho do massagista. Na verdade, não o fiz por mim, mas pelo meu homem. Sei o quanto ele se excita a imaginar-me com outro. Ele foi generoso, e como sabe que eu gosto, avançou e partilhámos aquele pau enquanto o pobre trabalhador me masturbava. 
Podemos dar um passo mais à frente. Próxima paragem: ele toca noutras mulheres, eu toco noutros homens.


domingo, 2 de setembro de 2012

Dunas são como divãs

Mais uma sessão com os nossos amigos fodíveis.
Cenário: motel no norte. Adereços muitos: strap on, lubrificantes, algemas. Um jacuzzi em vez da piscina do primeiro encontro. Uma tarde de foda, uma saída para jantar, uma noite de foda. E desta vez, dormimos quatro numa cama para dois.
A perfeição quase existe. Não fosse a interdição de toques hetero, éramos meninos para nos tornarmos amantes deste casal.
Depois da terceira, decidimos que teríamos de fazer uma pausa com eles. Talvez já não houvesse mais caminho para fazermos os quatro. Dentro dos limites acordados, já tinhamos explorado todas as combinações possíveis. Ou talvez tivessemos sentido a estranheza de tanta intimidade com outro casal. 
Agora que penso nisso, sinto saudades daqueles dois. Gostamos deles. 
Fraquezas de um casal pecaminoso.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Uma noite de hotel

Um mês depois do primeiro encontro, encontramo-nos a meio caminho. Desta vez num hotel com um quarto de quatro pessoas. Desta vez, sem o secretismo dos motéis. Éramos dois casais que dormiam no mesmo quarto.
Chegaram perfumados e bebemos um whisky numa esplanada. Ela puxou a minha mão e fez-me descobri uma cona sem cuecas por baixo da saia. Isto prometia.
No quarto, fizémos a revisão da matéria dada. Desta vez sem a timidez do primeiro encontro. Ajoelhei-me e lambi a sua cona. Entre uma e outra vez, fiquei com saudades de a lamber e de sentir a sua cona macia por dentro.
Daí para a frente, a confusão total. Às quatro da manhã, depois de um dia intenso de trabalho e de várias horas a foder, quase desmaiei de cansaço. Adormecemos por algumas horas e mal acordámos já estávamos outra vez a foder.
Ser um casal swinger dá cabo do cabedal. Quase mortos, regressámos a Lisboa. 
Durante dois dias, a minha língua dormente lembrou-me de todos os pecados que cometi naquela noite no hotel.

sábado, 28 de julho de 2012

Dez horas

Um dia aconteceu. Ao fim de oito meses em sites, a ver perfis, a falar no messenger com casais que desapareciam ao sabor da incompatibilidade mútua, um dia finalmente aconteceu. 
Um quarto de motel e dois casais. Ambos bissexuais. Com uma regra: menina com menina e menino com menino. 
Ele chupou o outro homem. Ela delirou ver. Ela empurrou a boca dele até o engasgar, pequena vingança dos broches em que quase se afoga. Ele levou com o pau do outro homem. Elas quase se vieram a ver aquela paneleirice pegada. Ela lambeu a outra mulher. Gostou tanto que a partir de então decidiu condenar à morte todo o homem que diga ah e tal não gosto muito. Minete é mel. Melhor ainda com dois dedos enfiados na macieza de uma cona húmida. Ela e ele foderam ao lado do outro homem e da outra mulher. Vieram-se todos várias vezes.

Dez horas depois de termos entrado no motel, ceámos juntos e rimos de tudo e de nada. Despedimo-nos com a certeza de que nos encontraríamos mais vezes.

terça-feira, 17 de julho de 2012

Por algum lado tem de se começar

Os sites por onde andamos têm de tudo. É preciso uma paciência de relojoeiro para escolher o que deve ser visto. 
A primeira triagem faz-se com as fotografias de perfil. Planos ginecológicos são mato que é preciso desbravar. Poses provocantes ao lado de camas de bebé são tesão negativa (não arranjavam outro sítio para alçar o rabo?). Pilas ameaçadoras a olhar para nós dão vontade de fugir. Efeitos especiais foleiros, com estrelinhas e outras pirosadas vão directamente para a prateleira nem pensar.
Fase dois da selecção: a escrita. Casais que estão 'entressados' em 'conheçer' pessoas saltam fora. Quem não sabe escrever, não vale para foder.
Manias.


quarta-feira, 11 de julho de 2012

À terceira é de vez

O terceiro encontro para café foi afinal um encontro para jantar. Aproveitámos uma ida ao nuorte e combinámos encontrar-nos com um casal com quem falávamos pelo messenger há algum tempo. Já os tinhamos visto pela câmara e sabíamos que não eram uns camafeus. As conversas, essas, eram divertidas e disparatadas. 
Como casal, apenas lhes interessava a cena bi. Menina com menina, menino com menino. Tudo o que cruzasse essa fronteira, estava fora.
O jantar foi divertido. E os copos num bar também. Passámos horas à conversa. Se não os tivessemos conhecido naquele contexto, poderiam ser nossos amigos. Giros, apresentáveis, cheios de humor.
Voltámos sozinhos para o hotel. E só depois, em troca de mensagens e no regresso a casa e ao messenger, descobrimos que seria uma questão de tempo para os levarmos ao tapete.
Tic tac tic tac.


quarta-feira, 4 de julho de 2012

Dois, número dois

O segundo encontro para café aconteceu depois de umas conversas com um casal que nos tinha encontrado num dos sites. Ela mandou uma mensagem a dizer que tinha a panca de ver o marido com outro homem. Seguiram-se umas quantas conversas no messenger, com muitos disparates e risos. Até que fomos ter com eles a uma esplanada de Lisboa.
Balde de água fria. Mal chegaram à mesa, percebemos que nunca nada se iria passar. A barriga enorme do homem ajudou. Mas o golpe de misericórdia foi dado pelos dentes. Amarelos e feios. 
Durante uma hora, fizemos conversa de chacha. A melhor maneira de nos safarmos é fazer perguntas, muitas perguntas. As pessoas adoram falar de si mesmas. 
Soubémos que durante anos iam todas as semanas a um clube de swing lisboeta, e que foram criando um grupo de amigos com quem jantavam e fodiam. Mas às tantas descobriram que estavam a construir um outro casamento. Em vez de uma só pessoa, era como se estivessem casados com várias. Deixaram-se disso. Voltaram aos sites e à pesquisa de perfis compatíveis. E foi assim que nos encontraram.
Saímos de mansinho com uma desculpa qualquer (uma reunião de trabalho? uma consulta?) e com a certeza de que nunca nada aconteceria. 
Uma ou outra vez, tentaram convidar-nos para brincadeiras. Nunca aceitámos. Tornámo-nos invisíveis no messenger e um dia o contacto deles foi apagado. 
Na semana seguinte, estavamos sentados na cadeira do dentista. Não há-de ser por isso que vamos continuar virgens.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

O primeiro encontro

Ao fim de umas semanas com perfis em vários sites, marcámos o primeiro encontro com um casal. Um encontro para beber café e conversar. Pelos vistos, é o procedimento habitual para averiguar o grau de 'empatia', a qualidade que todos referem como indispensável para que possa acontecer alguma coisa mais do que conversa e café.
Chegámos antes da hora ao sítio combinado. Nunca tínhamos visto as caras deles, apenas fotografias de corpos nus. Durante uns minutos que pareciam horas, passaram por nós vários casais. Eles poderiam ser qualquer um deles. Outros tantos casais sentaram-se na mesma esplanada. Piscavamos o olho à nervoseira com piadas e risos.
Finalmente o telefone tocou. Do outro lado, a voz dela, dizendo que estavam a chegar. O marido iria à frente e acenar-nos-ia. Ao fundo, apareceu um homem alto e magro a dizer adeus com um sorriso na cara. Atrás dele, uma mulher mais baixa e arredondada. 
Os primeiros minutos foram de absoluta estranheza. Felizmente, eles eram batidos nisto e conseguiram dar a volta ao nosso incómodo. Sobretudo ele, muito simpático e falador, que nos foi contando histórias que viveram no swing. Ela, mais reservada, sorria. 
No regresso a casa, recebemos uma mensagem. Que éramos 'tesudos' e coisas do género. Tudo parecia estar bem encaminhado. Mas por uma qualquer razão que desconhecemos, nunca nada aconteceu. Talvez porque a onda deles era diferente da nossa. Ele e ela gostavam sobretudo de encontrar homens que a fodessem. E nós estávamos bem longe disso.
Deixaram de aparecer no messenger. Ao fim de uns meses, apagámos o contacto deles. 
Primeira lição aprendida. Clica-se em Block This Contact. A viagem segue dentro de momentos.

quinta-feira, 28 de junho de 2012

Perfis, verdades e mentiras

O nosso perfil diz que somos ambos bissexuais e que é isso que procuramos noutros casais. Pensámos que seria fácil. Não foi. 
No meio do swing, a julgar pelas centenas de perfis que já vimos, as mulheres são quase todas bi. Resta saber se o são realmente, ou se são porque os seus homens querem vê-las embrulhadas com outras. Mas isso é outra conversa.
Os homens, esses, são quase todos muito machos, estritamente heterossexuais. Ou assim parecem, se levarmos a sério o que escrevem nos perfis.
Com o tempo, descobrimos o engano a que os perfis nos levam. Foram várias as mensagens que recebemos de casais dispostos a quebrar a fronteira hetero/bi no masculino. Na maior parte dos casos, eram os homens que nos escreviam. Alguns propunham estar connosco, sem que a mulher soubesse. Par de patins com eles. Não alinhamos em esquemas desonestos.
Outros queriam que lhes explicássemos como era vida de um casal bi. Patins com eles, também. Não damos material para punhetas a desconhecidos que escondem das mulheres a sua vontade de estar com outros homens. 
Que raio de mundo este tão cheio de teias de aranha. Anunciam-se como 'casais liberais' e afinal são tão convencionais e quadrados quanto a dona ermelinda do café.